terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Conhecendo o VER-SUS e respirando o SUS

Penso que o VER-SUS (Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde) deveria ser o primeiro projeto a ser apresentado aos estudantes de saúde nos seus primeiros semestres da graduação, mesmo que o aluno não tenha interesse ou prazer em conhecer o SUS e suas complexidades. É um estágio fantástico com o poder de fazer com que mais e mais pessoas, exclusivamente acadêmicos, apaixonem-se pelo SUS e queiram de toda forma lutar para ver – num futuro não tão distante – melhorias na saúde/qualidade de vida da população brasileira, além de despertar novamente nos profissionais do sistema o amor e a vontade de tentar revolucionar o mesmo.




Estando recém no segundo semestre e ter participado já de duas edições do VER-SUS, posso dizer que o processo da minha formação acadêmica (e pessoal também) tem tornado-se muito enriquecedor!
O VER-SUS é uma máquina ambulante de produção de conhecimento, de troca/compartilhamento de saberes; uma máquina ambulante que fabrica amor: amor pelo SUS, amor pelas pessoas, amor pela diversidade, amor pela luta, amor pela vida! Uma máquina ambulante que instiga, encanta, enobrece a alma e mente!

Passar doze dias fora de casa com pessoas que não conhecíamos, longe da família, não é nada fácil, admito! São dias intensos e longos; dias de produzir muita paciência (não sei da onde, mas a gente arranja) para lidar com as diferenças dos outros e quando você é facilitador, como foi o meu caso, a paciência deve ser multiplicada! Ser mediadora da equipe, saber dialogar, tendo que sair da linha de conforto e elencar discussões importantes em determinados momentos realmente foi um dos maiores desafios para mim e, modéstia a parte, acho que me saí muito bem como facilitadora. Claro, tive o super apoio de uma colega maravilhosa e que, durante a vivência, conseguimos amadurecer e aprender uma com a outra.

Independente de todos os desafios, todas as inquietações e saudades, o mais prazeroso do VER-SUS está na semana de vivências e estágios. É uma oportunidade única poder estar dentro dos serviços de saúde entendendo e VENDO com os próprios olhos como o sistema funciona, como o usuário é atendido e em quais condições ocorre esse atendimento, quais atividades são oferecidas, etc. Nas visitas ao CRAS de cada comunidade, nas associações de bairro, nos locais de lazer e/ou cultura dos usuários (Escola de Samba, por exemplo) o VER-SUS nos auxilia a desconstruir a ideia de que o processo saúde/doença dá-se apenas nos serviços assistenciais e constrói a ideia do indivíduo-coletivo, isto é: o indivíduo deixa de ser um braço, uma perna, um “pedaço de carne” e torna-se o sujeito que é influenciado pelo meio em que vive (social), pelos pensamentos, costumes e hábitos da sua comunidade (cultural) e pela história que a mesma possui e faz com que nós, estudantes, compreendamos que o mesmo sujeito que passa pelo sistema de saúde é o mesmo que passa pelo sistema da educação, da assistência e, às vezes, pelo sistema prisional, portanto, é preciso que como futuros profissionais vejamos o ser humano como parte do todo, reconhecendo a importância do trabalho integrado entre as redes e os profissionais de diversas áreas, dentro de conceitos que desde o meu primeiro semestre tenho aprendido: multi, inter, transdisciplinaridade e intersetorialização.

A jornada no VER-SUS poderia ser um tanto massante pela quantidade de informações e coisas novas absorvidas, mas é válido lembrar que as discussões em grupo são sempre muito dinâmicas, com jogos, vídeos, músicas e palestrantes, tornando a vivência mais interessante e instigante!













Escrito por Francyne Silva

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Relato VERSUS - Iniciando a vivência e a aprendizagem

O começo do VER-SUS foi de muitas expectativas para os viventes que vieram participar do projeto. Com o inicio deste processo foi apresentado aos participantes o que seria a vivência e o que esperar dos 10 dias de imersão em contato com o sistema único de saúde (SUS). O contato de imersão com os estudantes é de extrema importância para o aprendizado da realidade do SUS. Para o estudante é um novo olhar, um novo jeito de pensar, do que é melhor para o sistema, o que é nosso, e o que é público.
O foco do projeto é a troca de conhecimentos, a interação com os outros estudantes de diferentes áreas. Nestes dias de vivências foram elaboradas dinâmicas de jogos educativos, com o intuito de explicar de um modo leve e agradável para o estudante inteirar-se sobre os mais diversos setores do SUS.
Escrito por Ingrit Medeiros Seehaber


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Encontro Regional Sul da Rede Unida - Londrina 30-31/10/2013

Mesa Redonda: Gestão para a Produção do Cuidado em Redes de Atenção à Saúde

Palestrante: Emerson Elias Merhy

"Como eu produzo conexões de existência? Como produzimos na vida real tantas singularidades, sendo tão iguais? Temos os mesmos números de genes, nossas células tem as mesmas composições químicas, fabricamos proteínas da mesma maneira...somos muito iguais! Porém, dos 7 bilhões de habitantes da terra, quem é igual a mim? Ninguém! Não partilhamos o tempo inteiro dos mesmos encontros. Cada um é testemunha de si, em detalhes que ocorrem em nossas vidas e que nos tornam tão singulares! Novas formas de existência nascem em nós a todo momento, pois estamos no meio de encontros e produções de detalhes. Se somos tão únicos, porque somos uma sociedade que opera no regime de verdade que algumas vidas valem mais que as outras? A vida de cada um vale a pena!!!"

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Cobertura RWS - Mais Médicos - Ministra Maria do Rosario fala sobre saúde e direitos humanos



Em entrevista concedida à Rádio Web Saúde UFRGS, a Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, fala sobre o acesso à saúde como um direito humano, sobre educação em saúde e sobre o programa do governo Federal "Mais Médicos".

domingo, 13 de outubro de 2013

Seminário Internacional Rotas Críticas V


No dia 16 de outubro, na cidade de Porto Alegre, inicia o Seminário Internacional Rotas Críticas V, que neste ano tratará o tema dos femicídios. Femicídios  são assassinatos de mulheres devido à condição de gênero, como os que ocorrem quando maridos, ex-maridos ou namorados matam as mulheres; quando há violência sexual seguida de morte da mulher e ainda quando uma mulher tenta proteger outra e é morta pelo agressor.

O evento, que contará com a cobertura da equipe da Rádio Web Saúde UFRGS, se estende de 16 a 18 de outubro e tem a participação de estudiosos do Brasil, da Costa Rica e do Haiti.

Serão abordados tópicos relativos à intervenção de serviços e redes na questão do femicídio, à abordagem da segurança pública, do setor jurídico e os dados dos femicídios no Brasil e na América Central.


Data: 16 de outubro (das 08h30min às 12h e das 14h às 17h)

          17 de outubro (das 08h30min às 11h e das 13h30 às 18h30min)

          18 de outubro (das 09h às 12h)

Local: Ministério Público na  rua Jerônimo Coelho, em frente á praça da Matriz.

sábado, 5 de outubro de 2013

Saúde da População Negra: um recorte necessário na busca da equidade e do acesso humanizado aos serviços de saúde

Relato do colega Ivan sobre a participação no I Encontro Estadual sobre a Política de Saúde da População Negra no Rio Grande do Sul.

            Ao iniciar o sétimo semestre do curso de Bacharelado em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande Sul – UFRGS, tenho acesso a diversos textos, artigos e teorizações científicas incluindo a própria Constituição Federal de 1988, que trata a saúde como direito universal, independente de raça, cor, religião, sexo, local de moradia, a ser promovido pelo Sistema Único de Saúde – SUS, pois todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (BRASIL, 1988). Nesse sentido, a Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990, conhecida como a Lei do SUS vem para regular as ações e serviços de saúde  buscando formulações de políticas econômicas e sociais no estabelecimento de condições que assegurem o acesso universal e igualitário à saúde como direito fundamental do ser humano, garantindo a sua promoção, proteção e recuperação.
Então por que uma política de saúde da população negra?
É preciso ter a compreensão do processo de saúde/doença, na dimensão social, cultural, econômica, racial e étnica. A partir disso iremos entender o Princípio da Equidade, pois os determinantes e condicionantes de atenção à saúde perpassam as condições de pobreza e se enviesa no quesito raça/cor como fator de preconceito racial ou de cor que geram exclusão e discriminação nos serviços de saúde. Na 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, o Movimento Social Negro juntamente com o Movimento da Reforma Sanitária, teve ativa participação no processo de elaboração e aprovação das propostas que viriam integrar posteriormente a Carta Constitucional de 1988. Nesse período, o movimento de mulheres negras exerceu um importante papel na luta pelas questões específicas à saúde da mulher negra, em especial àquelas relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. De lá para cá, o governo federal passou a dedicar atenção às reivindicações à saúde da população negra, fruto de uma forte participação do Movimento Social Negro na 11ª e 12ª Conferências Nacionais de Saúde em 2000 e 2003 respectivamente, onde foram aprovadas propostas para estabelecimento de padrões de equidade étnico-racial e de gênero na política de saúde do Brasil.
A criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), através da Lei nº 10.678 de 2003 tendo como atribuição institucional promover a igualdade e a proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos, através do acompanhamento e da coordenação das políticas de diversos ministérios, inclusive o da Saúde, representou uma conquista emblemática do Movimento Social Negro (BRASIL, 2003a). Em 2004, o Ministério da Saúde instituiu o Comitê Técnico de Saúde da População Negra-CTSPN, por meio da Portaria nº 1.678 para subsidiar a promoção da equidade e da igualdade no âmbito do SUS (BRASIL, 2004b). O comitê coordenado pela Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa SGEP e composto por representantes de diversas áreas técnicas do MS, da Seppir, pesquisadores e ativistas da luta antirracista tem seu funcionamento regulado pela Portaria nº 2.632/2004 (BRASIL, 2004c), resultando desse conjunto de esforços a instituição da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra conforme Portaria GM Nº 992 de 13 de maio de 2009. Essa Política tem como Princípios Gerais reafirmar os princípios constitucionais e os princípios do SUS, em especial o princípio da Equidade a partir do reconhecimento das desigualdades e da ação estratégica de políticas para superá-las; entendendo-se como ações e serviços específicos em razão de situações de risco e condições de vida e saúde de determinados grupos ou indivíduos da população. O Censo Demográfico de 2000 revelou que 54% dos brasileiros se definem como brancos,  45% como negros (considerados pretos e pardos) e 0,4% como indígenas e amarelos. Os dados do Censo contribuem para dar maior visibilidade às iniquidades que atingem a população negra.

Recentemente, em agosto de 2013 tive a oportunidade de participar do I Encontro Estadual sobre a Política de Saúde da População Negra no RS e no início de setembro participando de um curso de extensão em saúde da população negra, fruto da relação de meu campo de estágio, o Serviço de Auditoria do SUS- SEAUD/RS componente federal do DENASUS integrante da SGEP/MS pude apreender e perceber que ainda não tinha na Academia uma visão sistêmica sobre a saúde da população negra que transcende a condição do ser humano pois a saúde da população negra está relacionada, muitas vezes, além da sua condição de baixo padrão socioeconômico, as ações de racismo, preconceito e discriminação que em muitos casos impedem o acesso aos serviços de saúde para um tratamento adequado.

Algumas doenças, levando em conta fatores genéticos, são apresentadas de forma mais grave e prevalente na população negra, como por exemplo: a Doença Falciforme, Hipertensão Arterial, Eclâmpsia, Câncer de Colo de Útero e a Diabetes Mellitus. O risco de contaminação por AIDS, Sífilis e Tuberculose apresentados pela população negra é o dobro em comparação a população branca; a mortalidade materna e a mortalidade de jovens por causas externas (homicídios) também é maior na população negra. Por isso a informação do quesito raça/cor e seu preenchimento correto nos formulários, possibilita identificar as necessidades reais de saúde da população para o planejamento e organizações de ações e serviços de saúde. Essas doenças e agravos precisam ter uma abordagem específica e uma compreensão dos profissionais de saúde e de si próprio, para que se possa promover a equidade em saúde no País.             
DECLARE SEU AMOR À SUA MÃE, AVÓ, AVÔ, PAI, ANCESTRALIDADE.
DECLARE SUA RAÇA / COR!

Referências: 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 05 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm  acessado em 04/10/2013

______. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União,
Poder Executivo, Brasília, DF, 20 set. 1990a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm acesso em 03/10/2013

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.632 de 15 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 16 dez. 2004c. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2004/Gm/

Livro Olhares sobre a equidade em Saúde: Elementos a cerca da Implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra em Porto Alegre. ISBN 9788565573-01-6

Escrito por Ivan Gonçalves Ricalde, editado por Rossana Mativi.