Mostrando postagens com marcador Cobertura de Eventos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cobertura de Eventos. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de abril de 2014

Rádio Web Saúde UFRGS Entrevista

Os alunos do Projeto da RWS UFRGS lançam com exclusividade o Programa Rádio Web Saúde UFRGS Entrevista que contará com uma série de entrevistas com diversos atores sociais, nos mais variados momentos. Estaremos apresentando inúmeros assuntos e problematizando questões com os entrevistados sobre o tema da Saúde!

Abaixo, seguem três materiais audiovisuais de entrevistas com alguns congressistas importantíssimos do 11º Congresso da Rede Unida em Fortaleza. Confira! 

Rádio Web Saúde Entrevista: Arthur Chioro, Ministro da Saúde, falando sobre o 11º Congresso Internacional da Rede Unida.


Talk Show com o professor da USP Marco Akerman e Rossana Mativi conversando sobre Promoção da Saúde.

Rádio Web Saúde UFRGS Entrevista: Emerson Merhy, Rossana Baduy e Laura Feurwercker debatendo sobre a contribuição de cada eixo, Educação, Trabalho e Gestão, para o 11º Congresso Internacional da Rede Unida. 

Escrito por Francyne da Silva e Rossana Mativi. Vídeos: Júlia Galperim e Mariana Martins.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Aula Magna: “Por que fazer Pesquisa em Epidemiologia?”


O Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva realizou, no dia 15 de abril, a Aula Magna: “Por que fazer Pesquisa em Epidemiologia?” com a presença da professora Stela Nazareth Meneghel, do professor Ricardo Burg Ceccim e do convidado especial Dr. Cesar Gomes Victora,  Médico (UFRGS, 1976) Professor Emérito de Epidemiologia (UFPEL) PhD em Epidemiologia da Assistência Médica pela Escola de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres (1983). Pesquisador/consultor (OMS) e UNICEF.

Formado como Médico há quarenta anos, Victora desenvolve pesquisas no campo da Epidemiologia a trinta e três anos e, em aproximadamente quarenta  minutos de apresentação, enriqueceu maravilhosamente a Aula Magna com as construções de suas pesquisas, artigos e experiências obtidas em mais de cento e quarenta países ao redor do mundo. Caracterizando a Epidemiologia como um campo de pesquisas, controle e prevenção da saúde da população e monitoramento de possíveis doenças, ele ainda afirma que este campo é capaz de solucionar outros problemas e situações como a erradicação da pobreza e a identificação dos grupos e subgrupos de risco em determinados territórios.

Victora destacou em sua apresentação que, embora a Epidemiologia esteja desenvolvendo-se cada vez mais dentro da Saúde Coletiva tanto em termos quantitativos e qualitativos, um dos desafios do campo é a linguagem que tem sido utilizada pelos pesquisadores, pois o campo tem incorporado as mais diversas complexidades daquilo que se entende por saúde e tem sido difícil expressar não somente para os profissionais, mas para a população os resultados das pesquisas em uma linguagem mais compreensível.

Como vantagens da Pesquisa em Epidemiologia, Victora falou sobre a capacidade que o profissional e pesquisador têm de identificar as reais necessidades da população, realizar as mudanças sociais, acabar com as discrepâncias entre a população e participar da criação de programas para suprir as carências que impactam na saúde da população.



Escrito por Francyne da Silva. Fotos: RWS UFRGS/ Rossana Mativi.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

11º Congresso Internacional da Rede Unida

A Rádio Web Saúde UFRGS participou da cobertura do 11º Congresso Internacional da Rede Unida na capital do Ceará, em Fortaleza, tendo início no dia 10 de Abril e estendendo-se pelos dias 11, 12 e 13. O título "Girar Vida, Políticas e Existências: a delicadeza da Educação e do Trabalho no cotidiano do SUS" como tema do congresso, norteou a realização de fóruns internacionais, mostras, oficinas, rodas de conversa e távolas.

O Projeto da Rádio Web Saúde UFRGS participou de outros três encontros preparatórios para o Congresso Internacional, nas regiões Norte, Sudeste e Sul do país. Os quais foram produzidos vídeos com entrevistas, arquivos fotográficos, transmissões ao vivo de palestras, mesas de abertura e encerramento. Nas páginas virtuais e redes sociais do Projeto RWS UFRGS estão disponíveis os materiais dos encontros preparatórios e, também, os materiais do próprio congresso sempre acompanhados de textos jornalísticos.

Entre as inúmeras figuras ilustres do evento, estava presente o Ministro da Saúde Arthur Chioro que com sua imensa simpatia contemplou a equipe da RWS UFRGS com uma entrevista minutos antes da abertura do congresso, estando esta também disponível no canal da Rádio no Youtube e na página do Facebook.

O Congresso contou com participantes de países como: Espanha, Costa Rica, Portugal, Argentina, Equador, Itália, Haiti, Canadá, Bolívia, Uruguai, Moçambique, Inglaterra e EUA e, registra também, de certa forma, o significado e o tamanho do evento que foi o 11º Congresso Internacional da Rede Unida. Com aproximadamente seis mil congressistas, o encontro foi marcado pela presença de diversos atores sociais vindos de diferentes Estados brasileiros e países do mundo, todos empenhados para a luta de um Sistema Único de Saúde melhor, mais justo e integral à população.



















Escrito por Francyne da Silva e Rossana Mativi. Fotos: RWS UFRGS/Mariana Martins

domingo, 13 de abril de 2014

Távola 15ª Conferência Nacional de Saúde

A equipe da Rádio Web Saúde UFRGS esteve presente na realização da Távola sobre a 15ª Conferência Nacional de Saúde. Entre os participantes da Távola, estavam o secretário de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP) do Ministério da Saúde, André Bonifácio, a presidenta do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Maria do Socorro de Souza, o mediador e professor da USP, Marco Akerman, conselheiros e trabalhadores de saúde, pesquisadores, mobilizadores sociais e professores de vários estados do país para discutir, pensar e avaliar novas modalidades de organização para a 15ª Conferência Nacional de Saúde que ocorrerá em 2015.



O Conselho Nacional de Saúde é um órgão vinculado ao Ministério da Saúde que gerencia todas as questões relacionadas a saúde pública no Brasil e é composto por representantes de entidades e movimentos representativos de usuários, entidades representativas de trabalhadores da área da saúde, governo e prestadores de serviços de saúde, sendo o seu Presidente eleito entre os membros do Conselho.

Marco Akerman, mediador da Távola, iniciou o debate com alguns questionamentos, fazendo com que os participantes pensassem e articulassem pautas para a próxima e mais importante Conferência Nacional de Saúde.


Questões Norteadoras Preliminares:
Desejo genuíno de se fazer uma Conferência Nacional diferente.
Como transformar esse desejo em operAÇÃO?
Inovar metodologias.
Quais compromissos iremos assumir? Em que tempo?
Agenda política clara.
Reafirmar o direito à saúde.
Desconstruir a imagem ou pensamento da saúde como mercadoria.

Possíveis perguntas...
Como tornar a 15ª Conferência Nacional de Saúde tão relevante quanto a 8ª?
Neste sentido, a 15ª não pode ser um evento. Deve ser uma EXPRESSÃO SOCIAL.
Qual seria a estratégia para dialogar com o cidadão comum?
Como expandir a representação territorial? (Exemplo: do urbano e do rural)
Como a disputa não pode ser setorializada? (Deve ir para além do setor saúde)
Como devemos ter um projeto de desenvolvimento nacional e qual é o lugar da saúde neste contexto?
Como fazer uma avaliação da situação de saúde do povo brasileiro?
A participação dos delegados necessita ser ampliada para além da representação dos eleitos que são membros natos nas conferências (municipal, estadual e nacional).
A 8ª CNS teve 1000 delegados e 3000 convidados (e não havia ainda um sistema de controle social organizado). No contexto atual, como fazer desta 15ª um evento com a cara do povo do Brasil?
Atualmente, temos mais de 100 mil conselheiros.
Este batalhão serve apenas para a formalização burocrática do SUS?
Como não fazer da 15ª CNS um espaço de reivindicações de interesses de grupos?
Como examinar, sem nenhuma restrição, o que está posto pela população brasileira como necessidades, como do que é saúde e avançar cada vez mais na saúde como direito da vida?

Meta: desconstituir a saúde como mercadoria.
.


Como não fazer da 15ª CNS um espaço de reivindicações de interesses de grupos? Desconstituir a saúde como mercadoria e tornar a 15ª CNS tão importante quanto foi a 8ª são questionamentos que fazem com que a Rádio Web Saúde UFRGS reflita, ajude a construir novos paradigmas, participe mais e marque presença na próxima Conferência!

Referência: Conselho Nacional de Saúde. Disponível em:  <http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2014/04abr_14_cns1.html>. Acesso em 26/04/2014.

Escrito por Francyne Silva e Rossana Mativi. Fotos: RWS UFRGS/Rossana Mativi.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Távola: Saúde, qualidade de vida, medicina: dilemas da sociedade contemporânea.


No 11º Congresso Internacional da Rede Unida em Fortaleza/ Ceará, entre os muitos trabalhos apresentados, rodas de conversa e távolas, dança, música, alegria e amor, o congresso contou com diversos nomes da saúde pública dentre eles tivemos Madel Therezinha Luz, graduada em Filosofia (UFRJ), mestre em Sociologia (Universite Catholique de Louvain), doutora em Ciência Política (USP). Ela, em uma távola que abordou o tema da Saúde, qualidade de vida, medicina: dilemas da sociedade contemporânea, ocorrida no dia 11 de abril de 2014, trouxe reflexões a serem pensadas e dentre elas a Rádio Web Saúde UFRGS captou determinadas ideias da socióloga:

"Vivemos em uma época de adoecimento da saúde, principalmente do trabalhador que a faz. Em nossa contemporaneidade adoecemos por pequenos acontecimentos, perdemos a alteridade de olhar o outro.  E fica o pensamento do que é qualidade de vida? O que estamos perdendo com a inclusão da sociedade em uma vida cada vez mais consumista. Os sentimentos que esta “inclusão” nos traz é muitas vezes de cobiça, arrogância, sendo assim um ressentimento social."

É possível ter saúde sem ter ética? Segundo Made,l se não formos solidários estamos condenados a morte. Com todos estes problemas, se faz necessário pensar como esta o “produto interno de infelicidade”? Insistimos na petulância de nos acharmos melhores do que os outros. Estamos sendo cada dia, mais impostos a pensar de forma destrutiva, consumista, é uma ditadura disfarçada, na qual devemos pensar, falar, sentir, problematizar, para mudá-la. Não somos seres onipotentes, devemos prestar atenção nos sinais de nossos corpos, nos pressentimentos da vida...

Escrito por: Ingrit Medeiros Seehaber. Fotos: RWS UFRGS/ Ingrit Medeiros Seehaber.

domingo, 30 de março de 2014

Encontro de Formação de Tutores em Educação Permanente

O 1º Encontro do curso de Formação de Tutores em Educação Permanente (EPS em Movimento) foi realizado pelo Núcleo de Educação, Avaliação e Produção Pedagógica em Saúde (EducaSaúde) na cidade de Gramado no Rio Grande do Sul, tendo seu início na manhã do dia 29 de Março e estendendo-se até a tarde do dia seguinte (30). 

O 1º EPS é parte de um longo processo que está recém iniciando e da construção de uma educação permanente em saúde junto com os profissionais dos serviços de saúde. As discussões e os trabalhos em grupo desenvolveram-se a partir das experiências e das vivências dos profissionais de saúde divididos por Estados, com o intuito de preencher déficits em educação permanente em saúde que temos atualmente em nosso Sistema Único de Saúde (SUS) e tendo em vista que as mudanças e melhoras sejam pertinentes a cada território e/ou região. 

Esse processo é uma construção de práticas de ensino-aprendizagem, produzindo conhecimentos a partir da realidade vivenciada pelos atores envolvidos, problematizando as demanda para melhor enfrentá-las. Com esta relação de nova formação e capacitação os profissionais de saúde poderão adquirir maiores habilidades e competências de um melhor trabalho, contribuindo nas competências destes trabalhadores que estão em busca de um sistema mais equânime, horizontalizando a informação em saúde, gerando inovadoras capacidades, entendendo os determinantes de saúde, de cultura, a fim de realizar práticas desejáveis que atenda a toda sociedade. 

É um processo longo que exige planejamento, produção metodológica, ativando a produção de conhecimentos, elaborando desenhos das demandas e execução de ações.


Escrito por Francyne da Silva e Ingrit Medeiros Seehaber.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Conhecendo o VER-SUS e respirando o SUS

Penso que o VER-SUS (Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde) deveria ser o primeiro projeto a ser apresentado aos estudantes de saúde nos seus primeiros semestres da graduação, mesmo que o aluno não tenha interesse ou prazer em conhecer o SUS e suas complexidades. É um estágio fantástico com o poder de fazer com que mais e mais pessoas, exclusivamente acadêmicos, apaixonem-se pelo SUS e queiram de toda forma lutar para ver – num futuro não tão distante – melhorias na saúde/qualidade de vida da população brasileira, além de despertar novamente nos profissionais do sistema o amor e a vontade de tentar revolucionar o mesmo.




Estando recém no segundo semestre e ter participado já de duas edições do VER-SUS, posso dizer que o processo da minha formação acadêmica (e pessoal também) tem tornado-se muito enriquecedor!
O VER-SUS é uma máquina ambulante de produção de conhecimento, de troca/compartilhamento de saberes; uma máquina ambulante que fabrica amor: amor pelo SUS, amor pelas pessoas, amor pela diversidade, amor pela luta, amor pela vida! Uma máquina ambulante que instiga, encanta, enobrece a alma e mente!

Passar doze dias fora de casa com pessoas que não conhecíamos, longe da família, não é nada fácil, admito! São dias intensos e longos; dias de produzir muita paciência (não sei da onde, mas a gente arranja) para lidar com as diferenças dos outros e quando você é facilitador, como foi o meu caso, a paciência deve ser multiplicada! Ser mediadora da equipe, saber dialogar, tendo que sair da linha de conforto e elencar discussões importantes em determinados momentos realmente foi um dos maiores desafios para mim e, modéstia a parte, acho que me saí muito bem como facilitadora. Claro, tive o super apoio de uma colega maravilhosa e que, durante a vivência, conseguimos amadurecer e aprender uma com a outra.

Independente de todos os desafios, todas as inquietações e saudades, o mais prazeroso do VER-SUS está na semana de vivências e estágios. É uma oportunidade única poder estar dentro dos serviços de saúde entendendo e VENDO com os próprios olhos como o sistema funciona, como o usuário é atendido e em quais condições ocorre esse atendimento, quais atividades são oferecidas, etc. Nas visitas ao CRAS de cada comunidade, nas associações de bairro, nos locais de lazer e/ou cultura dos usuários (Escola de Samba, por exemplo) o VER-SUS nos auxilia a desconstruir a ideia de que o processo saúde/doença dá-se apenas nos serviços assistenciais e constrói a ideia do indivíduo-coletivo, isto é: o indivíduo deixa de ser um braço, uma perna, um “pedaço de carne” e torna-se o sujeito que é influenciado pelo meio em que vive (social), pelos pensamentos, costumes e hábitos da sua comunidade (cultural) e pela história que a mesma possui e faz com que nós, estudantes, compreendamos que o mesmo sujeito que passa pelo sistema de saúde é o mesmo que passa pelo sistema da educação, da assistência e, às vezes, pelo sistema prisional, portanto, é preciso que como futuros profissionais vejamos o ser humano como parte do todo, reconhecendo a importância do trabalho integrado entre as redes e os profissionais de diversas áreas, dentro de conceitos que desde o meu primeiro semestre tenho aprendido: multi, inter, transdisciplinaridade e intersetorialização.

A jornada no VER-SUS poderia ser um tanto massante pela quantidade de informações e coisas novas absorvidas, mas é válido lembrar que as discussões em grupo são sempre muito dinâmicas, com jogos, vídeos, músicas e palestrantes, tornando a vivência mais interessante e instigante!













Escrito por Francyne Silva

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Relato VERSUS - Iniciando a vivência e a aprendizagem

O começo do VER-SUS foi de muitas expectativas para os viventes que vieram participar do projeto. Com o inicio deste processo foi apresentado aos participantes o que seria a vivência e o que esperar dos 10 dias de imersão em contato com o sistema único de saúde (SUS). O contato de imersão com os estudantes é de extrema importância para o aprendizado da realidade do SUS. Para o estudante é um novo olhar, um novo jeito de pensar, do que é melhor para o sistema, o que é nosso, e o que é público.
O foco do projeto é a troca de conhecimentos, a interação com os outros estudantes de diferentes áreas. Nestes dias de vivências foram elaboradas dinâmicas de jogos educativos, com o intuito de explicar de um modo leve e agradável para o estudante inteirar-se sobre os mais diversos setores do SUS.
Escrito por Ingrit Medeiros Seehaber


sábado, 5 de outubro de 2013

Saúde da População Negra: um recorte necessário na busca da equidade e do acesso humanizado aos serviços de saúde

Relato do colega Ivan sobre a participação no I Encontro Estadual sobre a Política de Saúde da População Negra no Rio Grande do Sul.

            Ao iniciar o sétimo semestre do curso de Bacharelado em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande Sul – UFRGS, tenho acesso a diversos textos, artigos e teorizações científicas incluindo a própria Constituição Federal de 1988, que trata a saúde como direito universal, independente de raça, cor, religião, sexo, local de moradia, a ser promovido pelo Sistema Único de Saúde – SUS, pois todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (BRASIL, 1988). Nesse sentido, a Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990, conhecida como a Lei do SUS vem para regular as ações e serviços de saúde  buscando formulações de políticas econômicas e sociais no estabelecimento de condições que assegurem o acesso universal e igualitário à saúde como direito fundamental do ser humano, garantindo a sua promoção, proteção e recuperação.
Então por que uma política de saúde da população negra?
É preciso ter a compreensão do processo de saúde/doença, na dimensão social, cultural, econômica, racial e étnica. A partir disso iremos entender o Princípio da Equidade, pois os determinantes e condicionantes de atenção à saúde perpassam as condições de pobreza e se enviesa no quesito raça/cor como fator de preconceito racial ou de cor que geram exclusão e discriminação nos serviços de saúde. Na 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, o Movimento Social Negro juntamente com o Movimento da Reforma Sanitária, teve ativa participação no processo de elaboração e aprovação das propostas que viriam integrar posteriormente a Carta Constitucional de 1988. Nesse período, o movimento de mulheres negras exerceu um importante papel na luta pelas questões específicas à saúde da mulher negra, em especial àquelas relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. De lá para cá, o governo federal passou a dedicar atenção às reivindicações à saúde da população negra, fruto de uma forte participação do Movimento Social Negro na 11ª e 12ª Conferências Nacionais de Saúde em 2000 e 2003 respectivamente, onde foram aprovadas propostas para estabelecimento de padrões de equidade étnico-racial e de gênero na política de saúde do Brasil.
A criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), através da Lei nº 10.678 de 2003 tendo como atribuição institucional promover a igualdade e a proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos, através do acompanhamento e da coordenação das políticas de diversos ministérios, inclusive o da Saúde, representou uma conquista emblemática do Movimento Social Negro (BRASIL, 2003a). Em 2004, o Ministério da Saúde instituiu o Comitê Técnico de Saúde da População Negra-CTSPN, por meio da Portaria nº 1.678 para subsidiar a promoção da equidade e da igualdade no âmbito do SUS (BRASIL, 2004b). O comitê coordenado pela Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa – SGEP e composto por representantes de diversas áreas técnicas do MS, da Seppir, pesquisadores e ativistas da luta antirracista tem seu funcionamento regulado pela Portaria nº 2.632/2004 (BRASIL, 2004c), resultando desse conjunto de esforços a instituição da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra conforme Portaria GM Nº 992 de 13 de maio de 2009. Essa Política tem como Princípios Gerais reafirmar os princípios constitucionais e os princípios do SUS, em especial o princípio da Equidade a partir do reconhecimento das desigualdades e da ação estratégica de políticas para superá-las; entendendo-se como ações e serviços específicos em razão de situações de risco e condições de vida e saúde de determinados grupos ou indivíduos da população. O Censo Demográfico de 2000 revelou que 54% dos brasileiros se definem como brancos,  45% como negros (considerados pretos e pardos) e 0,4% como indígenas e amarelos. Os dados do Censo contribuem para dar maior visibilidade às iniquidades que atingem a população negra.

Recentemente, em agosto de 2013 tive a oportunidade de participar do I Encontro Estadual sobre a Política de Saúde da População Negra no RS e no início de setembro participando de um curso de extensão em saúde da população negra, fruto da relação de meu campo de estágio, o Serviço de Auditoria do SUS- SEAUD/RS componente federal do DENASUS integrante da SGEP/MS pude apreender e perceber que ainda não tinha na Academia uma visão sistêmica sobre a saúde da população negra que transcende a condição do ser humano pois a saúde da população negra está relacionada, muitas vezes, além da sua condição de baixo padrão socioeconômico, as ações de racismo, preconceito e discriminação que em muitos casos impedem o acesso aos serviços de saúde para um tratamento adequado.

Algumas doenças, levando em conta fatores genéticos, são apresentadas de forma mais grave e prevalente na população negra, como por exemplo: a Doença Falciforme, Hipertensão Arterial, Eclâmpsia, Câncer de Colo de Útero e a Diabetes Mellitus. O risco de contaminação por AIDS, Sífilis e Tuberculose apresentados pela população negra é o dobro em comparação a população branca; a mortalidade materna e a mortalidade de jovens por causas externas (homicídios) também é maior na população negra. Por isso a informação do quesito raça/cor e seu preenchimento correto nos formulários, possibilita identificar as necessidades reais de saúde da população para o planejamento e organizações de ações e serviços de saúde. Essas doenças e agravos precisam ter uma abordagem específica e uma compreensão dos profissionais de saúde e de si próprio, para que se possa promover a equidade em saúde no País.             
DECLARE SEU AMOR À SUA MÃE, AVÓ, AVÔ, PAI, ANCESTRALIDADE.
DECLARE SUA RAÇA / COR!

Referências: 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 05 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm  acessado em 04/10/2013

______. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União,
Poder Executivo, Brasília, DF, 20 set. 1990a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm acesso em 03/10/2013

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.632 de 15 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 16 dez. 2004c. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2004/Gm/

Livro Olhares sobre a equidade em Saúde: Elementos a cerca da Implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra em Porto Alegre. ISBN 9788565573-01-6

Escrito por Ivan Gonçalves Ricalde, editado por Rossana Mativi.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Exposição Fotográfica no Museu da UFRGS

A Rádio Web Saúde UFRGS recomenda a todos a visita à exposição fotográfica Abordagem interdisciplinar: paisagens, pessoas e vidas rurais – região sudeste rio-grandense no Museu da UFRGS. Trabalho realizado pelo Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Meio Ambiente e Desenvolvimento (GRIMAD) e do Grupo de Estudos em Saúde Coletiva (GESC). 

A mostra fotográfica está exposta no Mezanino do Museu da UFRGS na Avenida Osvaldo Aranha, 277 – Porto Alegre – RS. A visitação é do dia 16 de setembro a 19 de outubro de 2013, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h (último sábado de cada mês: das 9h às 13h). A entrada é franca! Vale à pena conferir!


Relato da aluna de Doutorado em Enfermagem, da UFRGS, participante da Exposição - Andréia Burile.
“No primeiro momento, quero agradecer a oportunidade de falar um pouco mais de nossa exposição fotográfica “Abordagem interdisciplinar: paisagens, pessoas e vidas rurais – região sudeste rio-grandense”. A Mostra tem como objetivo ilustrar paisagens, pessoas e vidas rurais da região sudeste rio-grandense e procura por meio das imagens problematizar o rural não apenas como espaço agrário, mas como um cenário constituído por paisagens e pessoas que conformam esse espaço e são por ele constituídas.

As imagens foram capturadas pelos pesquisadores do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Meio Ambiente e Desenvolvimento (GRIMAD) e do Grupo de Estudos em Saúde Coletiva (GESC) durante as pesquisas realizadas no âmbito do Programa Interdisciplinar de Pesquisa (PROINTER) do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS) na metade sul de nosso estado.

A minha trajetória no grupo iniciou em 2010 quando ingressei no mestrado, na Escola de Enfermagem da UFRGS. Como projeto de pesquisa fui estudar homens em situação de adoecimento crônico, residentes no espaço rural, e para isso me desloquei até a comunidade Rincão dos Maia, em Canguçu, RS. A comunidade já tinha subsidiado outros estudos do GESC e ofertou um cenário importante para localizar homens a partir de suas referências de adoecimento, pois eu não queria buscá-los pelos serviços de saúde, uma vez que isso se constituiria um viés para meu estudo.

Por ter família no interior do estado e familiares que trabalham no meio rural, este espaço sempre me despertou interesse em função da pouca visibilidade dada, seja nas políticas públicas, meios acadêmicos ou até mesmo na mídia. Acredito que os modos de vida no espaço rural são singulares e precisam ser considerados e compartilhados. Esses dias, eu conversava com uma amiga que é professora, e ela espantada contava-me que muitos de seus alunos não conheciam uma propriedade rural. Penso que é essencial, no mundo em que vivemos ofertar oportunidades de ver outros modos de vida, para assim fomentar a prática da alteridade com o Outro.

Quando capturamos as imagens não tínhamos a pretensão de montar uma exposição fotográfica. Essa idéia só surgiu quando organizamos a Primeira Jornada de Estudos Rurais e Saúde, em julho 2012, para compilar e divulgar nossos trabalhos para a comunidade em geral. Nesta data, o professor Roberto Verdum, vinculado ao Instituto de Geociências, Departamento de Geografia da UFRGS, integrante também do PROINTER lançou a idéia e a partir daí começamos nos organizar para concretizar a exposição. Nosso grupo trabalha fortemente com a idéia de que ao produzirmos ciência estamos assumindo um compromisso não apenas com nossos pares na Universidade, mas também, e principalmente, com a sociedade. Em nossas pesquisas, temos ofertado devolutivas aos participantes de nossos estudos, além disso, organizamos atividades de extensão subsidiadas por estes trabalhos.

Com relação as minhas fotografias... Tudo começou quando, ao realizar as visitas aos participantes de minha pesquisa, eles me mostravam fotos deles e de outras pessoas que já tinham desenvolvido alguma ação na comunidade. Ali, vi a oportunidade de ter memórias do tempo em que estive no Rincão dos Maia e ao mesmo tempo ofertar uma lembrança dos encontros. Em cada visita e pelos caminhos que me levavam aos entrevistados fui fotografando tudo que me despertava atenção. Uma das fotos que mais gosto é a foto da divulgação em que capturei dois netos de um entrevistado de minha pesquisa brincando com os cabritinhos no quintal- pensei como a infância no rural é diferente da urbana. Não raras vezes me deparo com crianças da idade deles fixadas em seus celulares e tablets. Lá, eles correm, brincam, inventam brinquedos e brincadeiras... tudo é mais livre. Claro, é preciso pontuar que nas grandes cidades o fenômeno da violência limita os espaços que as crianças podem circular.


Para não me estender demais, quero convidar todos e todas à conhecerem nossa exposição fotográfica no museu da UFRGS. As imagens serão expostas até o dia 19 de outubro e a entrada é franca! Vale à pena conferir! Abraços,

Organizadores: Roberto Verdum, Tatiana Engel Gerhardt, Marta Julia Marques Lopes, Vilma Constância Fiovarante dos Santos, Eliziane Ruiz, Joannie Fachinelli, Andreia Burille, Cristiane Tonezer, Francis dos Santos, Ana Carrion, Joana Cicconeto, Deise Lisboa Riquinho e Potiguara de Oliveira Paz”.


Escrito por Rossana Mativi.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Acordo de cooperação entre a UFRGS e a Universidade de Bologna promove disciplina de Saúde Global

     De 27 de agosto à 5 de setembro foi ministrada, na sede da Rede Governo Colaborativo em Saúde, a disciplina “Saúde global, globalização e efeitos nos serviços de saúde: Brasil e Itália”. A realização da disciplina, oferecida aos alunos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFRGS e aos alunos do Mestrado Profissional em Saúde da Família da UFMS, foi possível devido à parceria com o Centro Studi e Ricerche in Salute Internazionale e Interculturale da Universidade de Bologna (C.S.I. Unibo), firmada através do acordo de cooperação entre a UFRGS e a UNIBO.

           Turma da disciplina Saúde global, globalização e efeitos nos serviços de saúde: Brasil e Itália com os professores Ardigò Martino e Brigida Marta, da Unibo

     Nas duas semanas de aula, foram tratados temas como o questionamento da abordagem biomédica através de sua eficácia comparada à de outras abordagens, a migração e a necessidade de novos entendimentos de saúde que esse fenômeno provoca e o papel do profissional de saúde nesse novo quadro, a relação entre os processos locais e globais e a necessidade da construção de coletivos transnacionais pelos profissionais de saúde, além de temas sobre a antropologia e cultura, a etnografia no trabalho da saúde mental e os sistemas de saúde italiano e catalão. As aulas foram ministradas pelos professores Anna Castellucci, Ardigò Martino, Augusta Nicoli e Brigida Marta, da UNIBO, Massimiliano Minelli e Michelangelo Giampaoli, da Universidade de Perugia, Leticia Medeiros Ferreira, do Centro de Saúde Mental Nou Barris Nord – Barcelona, e Angel Martínez Hernáez, da Universitat Rovira i Virgili.
Leticia Medeiros Ferreira, do Centro de Saúde Mental Nou Barris Nord - Barcelona

     A disciplina de Saúde Global faz parte das atividades do acordo de cooperação entre a UFRGS e a UNIBO, juntamente com outras ações, como as pesquisas avaliativas do PMAQ e o VER-SUS, que já contam com o apoio e a participação de profissionais e estudantes italianos. 

     “As redes científicas que se articulam aqui e lá têm diferentes origens e diferentes práticas de pesquisa, produção de conhecimentos e inserção nos sistemas de saúde e outras políticas públicas”, argumenta o professor Alcindo Ferla, coordenador da Rede Governo Colaborativo em Saúde. Para Alcindo, esse intercâmbio é bastante promissor: “Ganhamos todos com a troca e o intercâmbio, já que nos aproxima um compromisso ético de produzir conhecimento voltado à transformação das condições em que vivem as pessoas e as coletividades”.
Dinâmica com as professoras Anna Castellucci e Augusta Nicoli, da Unibo
 
     Aluna do Mestrado Profissional em Saúde da Família da UFMS, Patrícia Marques Magalhães, que veio a Porto Alegre com seus colegas Flávia Brito e Eduardo Henrique Santim para as aulas da disciplina de Saúde Global achou muito importante a troca de experiências entre as diferentes realidades oportunizadas pela disciplina: “mostra que ainda temos muito o que aprender, mas que também temos excelentes vivências, que estamos no caminho certo. Aprendemos que o fator globalização é imprescindível.”

     O professor Ardigò Martino e a Rádio Web Saúde UFRGS preparam vídeos com alguns dos tópicos apresentados ao longo das duas semanas de aula:




 Escrito por Mariana Martins.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Abertura do Encontro Regional da Rede Unida - Sudeste

O Encontro Regional Sudeste, da Rede Unida, ocorreu entre os dias 16 e 17 de agosto, no Parque Inhotim, em Brumadinho/MG, foi um encontro preparatório para o 11° Congresso Internacional da Rede Unida, que ocorrerá em Fortaleza, em 2014. Teve como principal tema: “O encontro com a vida sem molduras, girando a educação e trabalho no cotidiano do SUS”.

O Inhotim - Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico foi palco desse acontecimento e proporcionou aos participantes uma experiência singular através do encontro com as obras de arte expostas ao ar livre, possibilitando a troca de experiências, reflexões e debates sobre o desafio de desemoldurar, romper com a perspectiva tecnicista, reducionista e restrita a padrões de comportamento que influenciam a formação dos profissionais de saúde e as práticas de cuidado e atenção à saúde.

A programação do Encontro Regional Sudeste, foi construída pelos representantes dos quatro estados envolvidos na organização do evento e pode ser conferida no site da Rede Unida: http://www.redeunida.org.br/congresso2014/regional/sudeste/programacao

Foram convidados para participar da Mesa de Abertura o representante do Departamento de Atenção Básica – DAB/SAS, Alexandre Florêncio, o Coordenador Nacional da Rede Unida, Alcindo Antônio Ferla, a Coordenadora-Geral de Ações Estratégicas em Educação na Saúde – SEGTS, Eliana Cyrino, o Professor do curso de Odontologia da UFMT, João Henrique Lara do Amaral, e a Diretora de Inclusão e Cidadania do Instituto Inhotim anfitriã do evento, Roseni Sena.


Disponibilizamos na íntegra a Manifestação da Comissão Organizadora do Encontro Regional Sudeste da Rede Unida – 2013
Tema: Um encontro com a vida sem molduras:  girando o trabalho e a educação no cotidiano do SUS
Três experiências a serem trocadas nesses dois dias:
A delicadeza das relações interprofissionais;
A delicadeza das relações profissionais e comunidade;
A delicadeza em fazer saúde no SUS.
Quem faz a mediação entre nossas experiências e esses três eixos é a arte contemporânea. A arte sem molduras, que assusta, surpreeende, sensibiliza, emociona e que abandona os suportes tradicionais. Uma característica marcante da arte contemporânea e a diversidade assim como são diversos os muitos cenários e personagens que cruzam o caminho na prática cotidiana. A mediação pela arte busca o discurso universal.
Entendemos como delicadeza saber lidar com o que está ao nosso redor e de nossos semelhantes, é ver o cotidiano como espaço das surpresas, é a valorização da singularidade, é "olho no olho" onde se permite pensar nas realidades das vidas e das existências. O giro da vida é o pano de fundo, é a vida enquanto experiência individual e coletiva.
Desemoldurar, descortinar, mudar o eixo, permitir que cada um gire a vida nesses dois dias de acordo com a sua experiência e o seu caminho. Girar e desemoldurar o trabalho e a educação no cotidiano do SUS.
Desemoldurar como um termo cunhado para essa experiência de dois dias. Foi durante uma reunião nesse instituto. Termo que espanta, trás surpresa, que faz fugir o terreno debaixo dos pés. Busca-se superar o rigor do que está disciplinado, engessado e emoldurado nos campos da educação e do trabalho.
Cada participante trás a sua contribuição no campo da formação, do trabalho, do controle social e da gestão. A ideia geral que move a atividade é provocar a dúvida, a reflexão e a criação, sempre considerando as experiências de cada um.
Na elaboração dessa fala alguns membros da comissão manifestaram que se sentiram desafiados, convocados à criatividade e ao atrevimento. Houve também a experiência da solidariedade. Todas elas experiências da vida e não será diferente durante os próximos dois dias. Desafio e solidariedade são complementares. No encontro regional as pessoas se aproximam e as coisas acontecem porque fazemos acontecer juntos e com objetivos compartilhados.
O desafio de desemoldurar perseguiu a comissão durante toda a organização. Talvez pelo esforço de perder as molduras fez com que o trabalho de organização parecesse mais pesado. Como organizar sem moldura? Houve um exercício obstinado em desfazer e recriar novos movimentos e espaços, tentativas de desemoldurar as existências e seus afazeres.
Esse encontro possibilita nossa inserção ainda maior no desenvolvimento das políticas de Saúde no Brasil e revigora o ideário do Movimento da Reforma Sanitária Brasileira. Percebe-se nas gerações aqui representadas diferentes etapas de uma mesma trajetória. Estamos nesse movimento para enfrentar os desafios da consolidação e da melhoria da qualidade da formação e do trabalho na saúde, com delicadeza, buscando retirar as molduras para que os enfrentamentos e as soluções sejam outras.
Esse é o convite que é feito a todos e todas. Nesses dois dias e depois nos espaços sociais que ocupamos e onde objetivamente fazemos.
O encontro é uma resposta àqueles que acreditaram primeiro, dois deles presentes entre nós: Roseni, Edison Corrêa e Vitor Hugo que não pode comparecer. Os três fundadores da Rede Unida.

Sejam bem-vindos(as).


Escrito por Juliana Porto.

domingo, 18 de agosto de 2013

Encontro Regional da Rede Unida - Sudeste, primeiro dia.

No primeiro dia do Encontro Regional da Rede Unida - Sudeste, no Parque Inhotim em Brumadinho - MG, as três integrantes (Juliana, Mariana e Rossana) do Projeto da Rádio Web Saúde UFRGS acompanharam cada uma um grupo de visitação as obras.


Participei do Grupo 9, o qual contava com o apoiador, o professor Marco Akerman, fizemos o circuito 3 e visitamos a Galerias Lago, Marcenaria, Miguel Rio Branco e Mata. O tema foi "As Relações de Trabalho no SUS". 

Adorei o tema pois tem tudo a ver com o meu local de trabalho, com a função que desempenho e com o atendimento que presto diariamente como Técnica em Nutrição em um Banco de Leite Humano de Porto Alegre.

O que mais chamou a minha atenção na Galeria Lago foram as fotos dos acidentes de trabalho e de como o artista Thomas Hirschhorn na obra Restore Now mostrou que prestamos mais atenção na mídia do que nos livros, que uma ferramenta sem conhecimento mutila e que o consumismo é o mal da sociedade contemporânea. Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:

Na Galeria Marcenaria, a obra de Victor Grippo remeteu o grupo a pensar o trabalho no SUS, até que ponto há claridade nas relações, que ninguém é igual a ninguém e que precisa haver uma união de percepções e conhecimentos ao lidar com o outro. Considero o meu jeito de ver, entender e sentir a obra um jeito só meu, redundante não?! Pois é, encontre a sua forma de sentir a obra e desenmoldure-se... Lindo o artista trabalhar na meia luz, usar a claridade que entra por uma fenda para com ela guiar a sua criação, fantástico ter seis mesas com quatro pés indicando as 24h do dia, mas tudo isso, representou para mim um trabalho em gesso no qual em cada mesa havia uma forma de dar forma a alguma imagem e na última mesa essa imagem havia quebrado! Louco?! Insano?! Ignorante?! Pode ser o que quisermos ver, entender e sentir! Arte é isso. Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:

A Galeria Miguel Rio Branco contou com fotos, muitas fotos... Adoro fotos! Fotos da vida de mulheres prostitutas do Pelourinho, realidade nua e crua! Chocantes?! Sim, como não chocar... Mas, a foto que mais gostei foi a do link aqui disponibilizado. Uma sequência de fotos de dois meninos lutando capoeira, simples assim, a impressão que tive foi a, de que se tu passar rápido pela tela olhando somente para as fotos na vertical, dá para sentir o movimento da luta e até, quem sabe, ouvir o som da música! Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:
http://www.inhotim.org.br/index.php/arte/obra/view/263

A Galeria Mata, para mim, foi a melhor da tarde! Nela aprendi que a pessoa objetiva, fria e calculista aqui precisa muito rever os seus conceitos e sim, tentar enxergar um vidro no meio de uma sala e não somente que a cor da sala mudou e que há um trilho na diagonal dela! O mais interessante foi o professor Akerman me ver vidrada em um quadro que tinha um labirinto, eu com o dedinho querendo encontrar a saída daquele desenho cheio de microcorredores e ele filosofando de que nem sempre devemos encontrar a saída, de que não devemos nos preocupar com ela, enfim... Sai dali encantada com as palavras do professor e com aquele sentimento de derrota para o labirinto! Sai de mim OBJETIVIDADE! Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:
http://www.inhotim.org.br/index.php/arte/exposicao/obraTemp/380/3

Após a visita o grupo conversou sobre a relação entre as galerias e chegamos a belas conclusões. Tentarei equacionar as posições dos colegas, colocando na íntegra o que foi dito (sem nomeações, desculpem-me!).
As fotos dos acidentes de trabalho mostrou que a máquina é mais importante que homem. A mulher adequou-se ao trabalho, mas o trabalho não se adequou a mulher.
Prego + marcenaria = trabalho intelectual + manual
"Prostituição é um trabalho degradante, uma exploração."
"Quando se respeita o ser humano ele se sente assistido. É possível o SUS atender sim com cuidado, entendimento, humanização..."
"Nós somos seres fragmentados dentro de uma unidade."
Na obra A Falha, o que é o seu copro político no espaço? Na modificação do espaço a pessoa é um obstáculo, "a gente não se move por causa de nós mesmos!" Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site: http://www.inhotim.org.br/index.php/arte/obra/view/395
"As pessoas questionadoras são muito perseguidas."
"Quando faz junto, um sustenta o outro."


Referência: Inhotim - Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico. Disponível em: <http://www.inhotim.org.br/>. Acesso em 21/08/2013.

Escrito por Rossana Mativi.