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domingo, 20 de abril de 2014

Rádio Web Saúde UFRGS Entrevista

Os alunos do Projeto da RWS UFRGS lançam com exclusividade o Programa Rádio Web Saúde UFRGS Entrevista que contará com uma série de entrevistas com diversos atores sociais, nos mais variados momentos. Estaremos apresentando inúmeros assuntos e problematizando questões com os entrevistados sobre o tema da Saúde!

Abaixo, seguem três materiais audiovisuais de entrevistas com alguns congressistas importantíssimos do 11º Congresso da Rede Unida em Fortaleza. Confira! 

Rádio Web Saúde Entrevista: Arthur Chioro, Ministro da Saúde, falando sobre o 11º Congresso Internacional da Rede Unida.


Talk Show com o professor da USP Marco Akerman e Rossana Mativi conversando sobre Promoção da Saúde.

Rádio Web Saúde UFRGS Entrevista: Emerson Merhy, Rossana Baduy e Laura Feurwercker debatendo sobre a contribuição de cada eixo, Educação, Trabalho e Gestão, para o 11º Congresso Internacional da Rede Unida. 

Escrito por Francyne da Silva e Rossana Mativi. Vídeos: Júlia Galperim e Mariana Martins.

domingo, 30 de março de 2014

Encontro de Formação de Tutores em Educação Permanente

O 1º Encontro do curso de Formação de Tutores em Educação Permanente (EPS em Movimento) foi realizado pelo Núcleo de Educação, Avaliação e Produção Pedagógica em Saúde (EducaSaúde) na cidade de Gramado no Rio Grande do Sul, tendo seu início na manhã do dia 29 de Março e estendendo-se até a tarde do dia seguinte (30). 

O 1º EPS é parte de um longo processo que está recém iniciando e da construção de uma educação permanente em saúde junto com os profissionais dos serviços de saúde. As discussões e os trabalhos em grupo desenvolveram-se a partir das experiências e das vivências dos profissionais de saúde divididos por Estados, com o intuito de preencher déficits em educação permanente em saúde que temos atualmente em nosso Sistema Único de Saúde (SUS) e tendo em vista que as mudanças e melhoras sejam pertinentes a cada território e/ou região. 

Esse processo é uma construção de práticas de ensino-aprendizagem, produzindo conhecimentos a partir da realidade vivenciada pelos atores envolvidos, problematizando as demanda para melhor enfrentá-las. Com esta relação de nova formação e capacitação os profissionais de saúde poderão adquirir maiores habilidades e competências de um melhor trabalho, contribuindo nas competências destes trabalhadores que estão em busca de um sistema mais equânime, horizontalizando a informação em saúde, gerando inovadoras capacidades, entendendo os determinantes de saúde, de cultura, a fim de realizar práticas desejáveis que atenda a toda sociedade. 

É um processo longo que exige planejamento, produção metodológica, ativando a produção de conhecimentos, elaborando desenhos das demandas e execução de ações.


Escrito por Francyne da Silva e Ingrit Medeiros Seehaber.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Acordo de cooperação entre a UFRGS e a Universidade de Bologna promove disciplina de Saúde Global

     De 27 de agosto à 5 de setembro foi ministrada, na sede da Rede Governo Colaborativo em Saúde, a disciplina “Saúde global, globalização e efeitos nos serviços de saúde: Brasil e Itália”. A realização da disciplina, oferecida aos alunos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFRGS e aos alunos do Mestrado Profissional em Saúde da Família da UFMS, foi possível devido à parceria com o Centro Studi e Ricerche in Salute Internazionale e Interculturale da Universidade de Bologna (C.S.I. Unibo), firmada através do acordo de cooperação entre a UFRGS e a UNIBO.

           Turma da disciplina Saúde global, globalização e efeitos nos serviços de saúde: Brasil e Itália com os professores Ardigò Martino e Brigida Marta, da Unibo

     Nas duas semanas de aula, foram tratados temas como o questionamento da abordagem biomédica através de sua eficácia comparada à de outras abordagens, a migração e a necessidade de novos entendimentos de saúde que esse fenômeno provoca e o papel do profissional de saúde nesse novo quadro, a relação entre os processos locais e globais e a necessidade da construção de coletivos transnacionais pelos profissionais de saúde, além de temas sobre a antropologia e cultura, a etnografia no trabalho da saúde mental e os sistemas de saúde italiano e catalão. As aulas foram ministradas pelos professores Anna Castellucci, Ardigò Martino, Augusta Nicoli e Brigida Marta, da UNIBO, Massimiliano Minelli e Michelangelo Giampaoli, da Universidade de Perugia, Leticia Medeiros Ferreira, do Centro de Saúde Mental Nou Barris Nord – Barcelona, e Angel Martínez Hernáez, da Universitat Rovira i Virgili.
Leticia Medeiros Ferreira, do Centro de Saúde Mental Nou Barris Nord - Barcelona

     A disciplina de Saúde Global faz parte das atividades do acordo de cooperação entre a UFRGS e a UNIBO, juntamente com outras ações, como as pesquisas avaliativas do PMAQ e o VER-SUS, que já contam com o apoio e a participação de profissionais e estudantes italianos. 

     “As redes científicas que se articulam aqui e lá têm diferentes origens e diferentes práticas de pesquisa, produção de conhecimentos e inserção nos sistemas de saúde e outras políticas públicas”, argumenta o professor Alcindo Ferla, coordenador da Rede Governo Colaborativo em Saúde. Para Alcindo, esse intercâmbio é bastante promissor: “Ganhamos todos com a troca e o intercâmbio, já que nos aproxima um compromisso ético de produzir conhecimento voltado à transformação das condições em que vivem as pessoas e as coletividades”.
Dinâmica com as professoras Anna Castellucci e Augusta Nicoli, da Unibo
 
     Aluna do Mestrado Profissional em Saúde da Família da UFMS, Patrícia Marques Magalhães, que veio a Porto Alegre com seus colegas Flávia Brito e Eduardo Henrique Santim para as aulas da disciplina de Saúde Global achou muito importante a troca de experiências entre as diferentes realidades oportunizadas pela disciplina: “mostra que ainda temos muito o que aprender, mas que também temos excelentes vivências, que estamos no caminho certo. Aprendemos que o fator globalização é imprescindível.”

     O professor Ardigò Martino e a Rádio Web Saúde UFRGS preparam vídeos com alguns dos tópicos apresentados ao longo das duas semanas de aula:




 Escrito por Mariana Martins.

domingo, 18 de agosto de 2013

Encontro Regional da Rede Unida - Sudeste, primeiro dia.

No primeiro dia do Encontro Regional da Rede Unida - Sudeste, no Parque Inhotim em Brumadinho - MG, as três integrantes (Juliana, Mariana e Rossana) do Projeto da Rádio Web Saúde UFRGS acompanharam cada uma um grupo de visitação as obras.


Participei do Grupo 9, o qual contava com o apoiador, o professor Marco Akerman, fizemos o circuito 3 e visitamos a Galerias Lago, Marcenaria, Miguel Rio Branco e Mata. O tema foi "As Relações de Trabalho no SUS". 

Adorei o tema pois tem tudo a ver com o meu local de trabalho, com a função que desempenho e com o atendimento que presto diariamente como Técnica em Nutrição em um Banco de Leite Humano de Porto Alegre.

O que mais chamou a minha atenção na Galeria Lago foram as fotos dos acidentes de trabalho e de como o artista Thomas Hirschhorn na obra Restore Now mostrou que prestamos mais atenção na mídia do que nos livros, que uma ferramenta sem conhecimento mutila e que o consumismo é o mal da sociedade contemporânea. Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:

Na Galeria Marcenaria, a obra de Victor Grippo remeteu o grupo a pensar o trabalho no SUS, até que ponto há claridade nas relações, que ninguém é igual a ninguém e que precisa haver uma união de percepções e conhecimentos ao lidar com o outro. Considero o meu jeito de ver, entender e sentir a obra um jeito só meu, redundante não?! Pois é, encontre a sua forma de sentir a obra e desenmoldure-se... Lindo o artista trabalhar na meia luz, usar a claridade que entra por uma fenda para com ela guiar a sua criação, fantástico ter seis mesas com quatro pés indicando as 24h do dia, mas tudo isso, representou para mim um trabalho em gesso no qual em cada mesa havia uma forma de dar forma a alguma imagem e na última mesa essa imagem havia quebrado! Louco?! Insano?! Ignorante?! Pode ser o que quisermos ver, entender e sentir! Arte é isso. Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:

A Galeria Miguel Rio Branco contou com fotos, muitas fotos... Adoro fotos! Fotos da vida de mulheres prostitutas do Pelourinho, realidade nua e crua! Chocantes?! Sim, como não chocar... Mas, a foto que mais gostei foi a do link aqui disponibilizado. Uma sequência de fotos de dois meninos lutando capoeira, simples assim, a impressão que tive foi a, de que se tu passar rápido pela tela olhando somente para as fotos na vertical, dá para sentir o movimento da luta e até, quem sabe, ouvir o som da música! Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:
http://www.inhotim.org.br/index.php/arte/obra/view/263

A Galeria Mata, para mim, foi a melhor da tarde! Nela aprendi que a pessoa objetiva, fria e calculista aqui precisa muito rever os seus conceitos e sim, tentar enxergar um vidro no meio de uma sala e não somente que a cor da sala mudou e que há um trilho na diagonal dela! O mais interessante foi o professor Akerman me ver vidrada em um quadro que tinha um labirinto, eu com o dedinho querendo encontrar a saída daquele desenho cheio de microcorredores e ele filosofando de que nem sempre devemos encontrar a saída, de que não devemos nos preocupar com ela, enfim... Sai dali encantada com as palavras do professor e com aquele sentimento de derrota para o labirinto! Sai de mim OBJETIVIDADE! Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:
http://www.inhotim.org.br/index.php/arte/exposicao/obraTemp/380/3

Após a visita o grupo conversou sobre a relação entre as galerias e chegamos a belas conclusões. Tentarei equacionar as posições dos colegas, colocando na íntegra o que foi dito (sem nomeações, desculpem-me!).
As fotos dos acidentes de trabalho mostrou que a máquina é mais importante que homem. A mulher adequou-se ao trabalho, mas o trabalho não se adequou a mulher.
Prego + marcenaria = trabalho intelectual + manual
"Prostituição é um trabalho degradante, uma exploração."
"Quando se respeita o ser humano ele se sente assistido. É possível o SUS atender sim com cuidado, entendimento, humanização..."
"Nós somos seres fragmentados dentro de uma unidade."
Na obra A Falha, o que é o seu copro político no espaço? Na modificação do espaço a pessoa é um obstáculo, "a gente não se move por causa de nós mesmos!" Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site: http://www.inhotim.org.br/index.php/arte/obra/view/395
"As pessoas questionadoras são muito perseguidas."
"Quando faz junto, um sustenta o outro."


Referência: Inhotim - Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico. Disponível em: <http://www.inhotim.org.br/>. Acesso em 21/08/2013.

Escrito por Rossana Mativi.

sábado, 17 de agosto de 2013

Encontro Regional da Rede Unida - Sudeste, segundo dia.

No segundo e último dia do Encontro Regional da Rede Unida – Sudeste, a equipe da Rádio Web Saúde UFRGS continuou acompanhando o circuito de visitas às obras com os grupos durante a manhã e, à tarde, transmitiu ao vivo, pela internet, o encerramento do Encontro com a devolutiva das discussões que os grupos fizeram sobre as obras visitadas.


O Parque Inhotim é um enorme museu a céu aberto e para qualquer lugar que se olhe há arte inserida nele. Os lagos são de um verde esplêndido e inimaginável, lá encontrei várias Carpas Super Saúde Coletiva UFRGS, de um laranja vibrante e intenso! O paisagismo, as instalações, as obras ao ar livre, enfim, o saudosismo vai batendo e a vontade de não querer voltar à realidade faz com que tenhamos a nítida impressão de querer eternizar o momento!


Hoje, o Grupo 9 trabalhou com o tema “A Delicadeza das Relações Interprofissionais”. Visitamos a obra de Rivane Neuenschwander, a Galeria Praça e a Galeria Lygia Pape.

Continente/Nuvem foi a primeira obra que visitamos. Uma casa pequena, simples e antiga na qual moravam 11 pessoas de uma mesma família, no teto do grande salão da casa há 25 ventiladores que ficam constantemente ligados levando as bolinhas de isopor de um lado para outro. Entramos pela porta dos fundos da casa, velha tradição mineira de receber o visitante direto na cozinha, lugar mais aconchegante do lar. Depois do relato da história da obra com a monitora, o professor Akerman pediu para que o grupo se apresentasse e contasse um pouquinho da sua trajetória, foi uma forma de nos conhecermos melhor muito interessante, pois entre nós havia profissionais da saúde de diferentes áreas, bem como usuários do sistema, estudantes de graduação e professores a maioria da região sudeste do país, só eu era do sul. Após nos apresentarmos o apoiador do grupo pediu para que deitássemos no chão para ver/sentir as bolinhas movimentando-se no teto... Foi uma sensação única! Estar dentro da obra, compartilhando da sua moldura e ao mesmo tempo desenmoldurando-se e despindo-se de certos pré-conceitos, como o de deitar no chão! Momento sublime... Como diz o professor Marco, a monitora, também, desenmoldurou-se, pois se apresentou para nós e aceitou tirar uma foto nossa! A vida é uma arte! Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:


Na Galeria Praça, a obra Forty Part Motet, apresentou uma instalação com 40 caixas de som, para cada caixa uma voz masculina de coral, cantando uma música composta para a comemoração do aniversário da Rainha Elizabeth 1ª, em 1575. Um espetáculo à parte que fez com que eu transgredisse as regras pegasse a câmera e filmasse o passeio que fiz pela sala na frente das caixas de som. Eu precisava levar algo para a minha mãe de todo aquele mar de cultura e arte no qual mergulhei fundo de corpo e alma! Minha mãe? ADOROU! Ela canta em dois corais, já cantou e outros tantos e nunca ouviu algo parecido com o que consegui captar de lá. A idéia de gravar cada voz em separado e depois transmiti-la em uma só caixa de som nos remete a sentir que o coral estava presente ali no salão... Momento de interiozar nossas próprias vozes! Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:
http://www.inhotim.org.br/index.php/arte/exposicao/obraTemp/195/4

A professora Dora Lúcia de Oliveira explica, durante a entrevista para a Rádio Web Saúde UFRGS, o que mais a chamou a atenção na obra de Janet Cardiff.
https://www.youtube.com/watch?v=3K26TjEKcwE

Não é à toa que essa Galeria se chama Praça, nela há duas montagens que retratam fielmente a praça e a rodoviária da cidade de Brumadinho. Modelos reais que emprestaram a sua forma para dar forma a um imenso painel! É tão interessante e real que dá vontade de pegar o ônibus... Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site: 


Literalmente adentramos na obra Ttéia na Galeria Lygia Pape! A instalação era tão escura que, na medida em que, fomos nos aproximando da obra subimos em uma espécie de palanque, tocamos nos fios, brincamos tentando adivinhar do que eles eram feitos e interagimos muito bem com a obra para depois sabermos que não poderíamos ter feito nem metade do que fizemos! Há sempre um senão nos museus... Poxa, estávamos no maior museu a céu aberto do mundo, como não interagir com a obra, tocá-la, senti-la... É, podendo ou não, foi o que fizemos! Quem quiser mais informações sobre a obra, visite o site:  


Após a visita as obras, o grupo reuniu-se para conversar sobre o que foi visto durante a manhã. Confesso que me perdi do grupo e acabei não participando da conversa, mas ao conceder a entrevista para a equipe da Rádio Web Saúde UFRGS o professor Akerman contou como foi rica a conversa que eles tiverem e o quanto o que foi dito nos auxilia a repensar nos rumos que queremos dar ao SUS. Confira a entrevista na íntegra, vale à pena! https://www.youtube.com/watch?v=Kth0VfO2mQE

Referência: Inhotim - Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico. Disponível em: <http://www.inhotim.org.br/>. Acesso em 22/08/2013.

Escrito por Rossana Mativi.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Debate com o professor Alcides Miranda no Programa Polêmica da Rádio Gaúcha


Diante da polêmica acerca do Programa Mais Médicos do Governo Federal e das demais mudanças na carreira da Medicina, o programa Polêmica da Rádio Gaúcha convidou o professor da Saúde Coletiva/UFRGS para participar de um debate com Paulo Argollo Mendes, presidente do SIMERS, e Claudio Balduíno Souto Franzen, tesoureiro do CREMERS e professor da Faculdade de Medicina da UFRGS.

Na tentativa de amenizar o problema da falta de médicos nas periferias das cidades e no interior dos estados o Governo Federal pretende aumentar em dois anos a duração do curso de Medicina, tempo no qual seria realizado um estágio remunerado no SUS, proposta que também daria ao jovem profissional uma vivência no SUS público.

Argollo acredita que o programa não passa de um processo demagógico com vistas para a eleição do próximo ano. Argumentou que se houvesse real interesse da Presidente em investir em saúde que ela não teria vetado a PEC 29, que aumentava o investimento em saúde de 4,4% para 10% do orçamento geral da União, ato feito antes das manifestações do último mês. Argollo defendeu que a vinda de médicos estrangeiros não resolve o problema da super lotação de hospitais e informou que em Porto Alegre há quatro vezes mais médicos que a média do Estado do RS. Argollo afirmou que 30% da população tem plano de saúde e que o setor público, para atender 70% da população, investe menos que os planos de saúde. O presidente do SIMERS disse ainda que a entidade defende como solução para a concentração de médicos na capital e a carência deles no interior a criação da carreira de médico, semelhante a que existe para juízes, na qual o profissional faz um concurso público e é alocado de acordo com a demanda.

Claudio Franzen, do CREMERS, concordou com o colega no que diz respeito à necessidade de uma carreira médica que estimule o profissional a trabalhar no SUS.  Afirmou ainda que hoje 60% dos médicos que se formam fazem residência atendendo fundamentalmente o SUS público.

O professor Alcides trouxe a questão do serviço civil, não necessariamente obrigatório, defendida por estudantes de Medicina já na década de 1980 como uma maneira de enfrentar a problemática da redistribuição da força de trabalho médica. Deixou claro, também, que quem financia a universidade pública é a população brasileira e que devem ser buscadas maneiras de viabilizar um sistema público de saúde – o que já teria sido deliberado por várias Conferências Nacionais de Saúde. Alcides disse ainda que o governo sempre foi inoperante com as corporações médicas que controlam as vagas de residência, cujas bolsas são na maioria públicas, mas que são controladas pela corporação, não pelas necessidades básicas da população, de maneira que a universidade forma profissionais para o mercado, não para a sociedade. Alcides não acha que seja necessária à importação de médicos, mas defende que sejam discutidas alternativas para a questão da distribuição desses profissionais, o que as corporações médicas se recusam a fazer, como quando se posicionaram contrárias ao PROVAB, que visa enviar para o interior o médico recém-formado.

Franzen disse que as corporações médicas se colocaram contra o bônus de 20% da nota que seria dado ao residente que optasse por determinadas áreas por essa medida ir contra a meritocracia, afinal o estudante que optasse a ir a determinado lugar estaria tendo vantagem em detrimento aquele que se preparasse para a seleção. Que se a questão fosse pagar uma dívida social que todo aquele que houvesse estudado em uma instituição pública desde sua infância deveria trabalhar para o governo.

Alcides esclareceu que não se trata de pagar uma dívida social, mas também que não se trata do outro extremo, de quem teve seus estudos sustentados pela população brasileira se formar e não fazer absolutamente nada para essa população. Para o médico, há que se discutir um meio termo para garantir que haja uma resposta social da universidade, não só da pública, mas também da privada e que é importante dizer que o sistema privado investe mais que o público porque existe a renúncia fiscal: a pessoa que paga o plano de saúde, deduz no imposto de renda e este deixa de entrar livre para financiar a rés (coisa) pública.
 - O sistema privado não faz a Atenção Primária porque não dá lucro, não faz os procedimentos de alto custo (transplante, hemodiálise) porque dá prejuízo, aí ele transfere para o SUS as medidas que têm maior impacto à longo prazo, mas que não dão lucro e as medidas que tem menor custo ficam num nicho de mercado mais lucrativo. Doença é usada como mercadoria e precisamos discutir qual é a lógica da produção social em saúde, quais são as nossas responsabilidades, não só transferir para governos, no plural, a responsabilidade, mas discutir quais são as responsabilidades quando nós viabilizamos.
Para Alcides a defesa de carreira única, de condições propícias de trabalho é uma unanimidade entre os médicos. A divergência ocorre em relação à ilusão liberal da Medicina, na qual os profissionais não querem ser escravos do Sistema Público, mas se colocam como escravos dos planos de saúde. O professor finaliza sua fala afirmando que a questão é que se a corporação deseja fazer parte do problema ou da solução:
 - Eu não discuto aqui a medida governamental em si, eu discuto a oportunidade para assumirmos uma perspectiva de trabalho vinculando essa alternativa com melhores condições de trabalho, com uma carreira, mas isso só é possível se nós formos protagonistas do SUS real, não se ficarmos esperando um SUS ideal para tomarmos essas iniciativas.

O programa realizou também uma enquete para saber a opinião dos ouvintes em relação ao tema:
Enquete - A partir de 2015, o curso de Medicina aumentaria de seis para oito anos. Durante dois anos os alunos teriam que atuar no SUS para obterem o diploma. Você concorda?

Sim - 75% Não – 25%

Escrito por Mariana Martins, redação do áudio por Rossana Mativi. 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Debate com o professor Alcides Miranda no Programa Conversas Cruzadas da TV COM

Hoje à noite, o professor da Saúde Coletiva da UFRGS Alcides Miranda participou do programa Conversas Cruzadas da TVCOM, o qual objetivou a análise dos prós e contras do projeto governamental Programa Mais Médicos, que pretende ampliar a duração dos cursos de Medicina no Brasil de seis para oito anos. Os debatedores foram o presidente municipal do PT de Porto Alegre, Adeli Sell; a estudante de Medicina Pauline Elias Josende e a vice-presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Maria Rita de Assis Brasil.

A participação do professor Alcides foi de fundamental importância para elucidar os fatos atuais que ocorrem na saúde pública e o contextualizar o histórico dessa proposta de governo. 

No início da fala do professor Alcides, ele coloca que a população brasileira paga, com os altos impostos cobrados pelo governo, a universidade pública e subsidia a privada, relata também que já participou de discussões das quais a universidade pública possui o comprometimento social e a responsabilidade civil e que o tema da proposta governamental foi discutido nas últimas três Conferências Nacionais de Saúde com ampla participação da população a qual deliberou a favor do serviço civil.

Informe-se, leia, estude, acompanhe as discussões, pois o assunto pode até ser novidade mas a ideia é discutida, conforme o professor Alcides, há décadas!
    

sábado, 15 de junho de 2013

1ª Oficina da RWS - Participação Popular e Controle Social no SUS

Hoje os integrantes da Rádio Web Saúde UFRGS realizaram sua primeira oficina do ano a qual contou com a participação das colegas da RWS UnB, Grasiela e Raelma, e com o entrevistado Jorge Senna, assessor do Núcleo de Educação em Saúde Indígena e Negra da Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul.   

A Rádio Web Saúde da Universidade de Brasília está produzindo um vídeo sobre a Participação Social no SUS e como essa participação ajuda a construí-lo. O depoimento do Jorge fará parte de outros depoimentos que serão gravados em todo país para formar um vídeo de distribuição nacional.


A entrevista foi no Parque da Redenção em um dia lindo, ensolarado e frio. A oficina foi das 10h às 17h, com intervalo para almoço na Lancheria do Parque, sobremesa na Maomé e tarde de conversas e trocas de experiências na sede da Rádio La Integración.



Na entrevista para a Rádio Web Saúde UnB, Jorge Senna falou sobre a Participação Popular e o Controle Social no SUS. 
"... nós que trabalhamos hoje com a formação e com o acesso ao direito à saúde vimos muito essa dificuldade que as pessoas têm em compreender qual é o papel delas no SUS. O papel do Agente Comunitário não deve ser totalmente restrito as suas ideologias religiosas, partidárias ou étnicas. Como pensarmos a participação social de maneira que todos possam ser incluídos? Como podemos pensar o debate da inclusão ao acesso do direito ao SUS como estratégia da participação social? A defesa do SUS público e gratuito para todos, em que o travesti, a prostituta, o negro, o indígena e a população do campo sejam atores para a construção de um SUS mais equânime? Quando pensamos na contribuição desses atores, somos convidados a repensar a história do marco dos 25 anos do SUS, antes o que era considerado saúde? E o que é saúde hoje? Falta muito para a consolidação plena do SUS, falta clareza do profissional e do usuário sobre a importância do SUS. O Sistema de Saúde brasileiro é um dos melhores sistemas do mundo, pois é reconhecido por vários países. Quando pensamos o papel da participação social, da gestão, do trabalhador e do usuário do SUS compreendemos que esse sistema está em construção e que é um Sistema de Saúde que ainda não está totalmente implementado.  A partir das Leis nº 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde) e nº 8142/90, que garantem a participação social, a partir de suas diretrizes de equidade e diversidade, o SUS, pela Constituição Federal, é um Sistema Único de Saúde para todos, os gestores e os trabalhadores precisam entender que o SUS é para o negro, o índio, o travesti, a prostituta e não podemos ter preconceitos pessoais para o atendimento. Aproveitando o tema da participação social, um dos instrumentos para isso acontecer dentro do SUS é a Política Nacional de Educação Popular em Saúde, aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde, que traz a realidade do SUS a partir da educação popular, do conhecimento, da realidade local e do território de saúde..."

À tarde houve uma troca de saberes entre as duas Rádios Web com muitos planos para o futuro, ideias para novos projetos e trocas de experiências. 


Escrito por Rossana Mativi com o apoio técnico das colegas Grasiela Sousa, Júlia Galperim e Juliana Porto.

sábado, 18 de maio de 2013

Evolução das Instituições de Saúde – Hospital Psiquiátrico São Pedro


A Rádio Web Saúde participará ao longo deste semestre do Projeto de Extensão: EVOLUÇÃO DAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE: UM OLHAR INTERDISCIPLINAR, cujo objetivo é conhecer a história de instituições de saúde e oportunizar a alunos, em especial trabalhadores, de cursos noturnos da UFRGS, a realização de créditos complementares, aos sábados.





Hoje foi o dia de adentrar na história do Hospital Psiquiátrico São Pedro. Reconhecer que ele é um museu à céu aberto e ainda está em funcionamento (até quando, é uma incógnita!) é ótimo para vencer os medos, conflitos internos, percepções e pré-conceitos.







Segundo o Blog do Grupo Hospitalar Estadual, o Hospital Psiquiátrico São Pedro foi nomeado Hospício São Pedro em homenagem ao padroeiro da Província, foi a primeira instituição psiquiátrica de Porto Alegre e da Província de são Pedro. Fundado em 13 de maio de 1874, foi inaugurado somente dez anos depois, no dia 29 de junho. Foi o sexto asilo/hospício de alienados durante o Segundo Reinado no Brasil (1841-1889). Designado como Hospício São Pedro até 1925, passou a ser chamado de Hospital São Pedro até 1961, quando assumiu a atual identidade de Hospital Psiquiátrico São Pedro. 


De 1884 a 1889, o Hospício São Pedro foi uma instituição que atuou como mecanismo institucional terapêutico e de regulação social.
De 1890 a 1924, o Hospício São Pedro não estava mais vinculado a Santa Casa de Misericórdia, mas a Secretaria do Interior e Exterior do Estado do Rio Grande do Sul, passando a ser dirigido pelo saber médico psiquiátrico.
De 1925 a 1946, um novo regulamento definiu a Instituição não mais como um manicômio, mas sim como um nosocômio. Neste momento, um novo discurso médico-psiquiátrico voltado à promoção da saúde e uma nova prática terapêutica de avançada tecnologia à época se estabeleceram no Hospital São Pedro, persistindo o problema da superpopulação asilar. 
De 1947 aos anos 90, diversas atividades foram implementadas no Hospital São Pedro e proporcionaram uma redução nas rotineiras e volumosas internações de pacientes: o estabelecimento do "Serviço de Penicilinoterapia", a ação dos psicofármacos, o aparelhamento tecnológico, a participação do Serviço Social  Psiquiátrico e o estabelecimento de sessões de Psicoterapia de Grupo, a inauguração do Gabinete de Identificação, o funcionamento do Curso de Formação em Psiquiatria, extensão da Faculdade de Medicina da UFRGS. Nos anos 70, o processo de interiorização foi colocado em prática no São Pedro o que possibilitou a recondução dos pacientes institucionalizados aos municípios de origem, reduzindo em cerca de 60% a população de moradores da instituição. 

No HPSP há serviços como ambulatório, admissão e triagem, enfermagem, farmácia, fisioterapia, memória cultural, nutrição e dietética, terapia ocupacional e reabilitação, Centro Integrado de Atenção Psicossocial - Infância e Adolescência (CIAPS), ensino e pesquisa, biblioteca, comitê de ética e pesquisa, estágio curricular e visitas institucionais.

Abaixo alguns vídeos importantes, os dois primeiros são sobre a vida da Irmã Paulina no HPSP e o terceiro vídeo é sobre a vida do Arthur Bispo do Rosário. Vale à pena conferir!






Referências: Grupo Hospitalar Estadual - A história viva da saúde pública do Rio Grande do Sul. Disponível em: <http://grupohospitalarestadual.blogspot.com.br/p/hpsp.html>. Acesso em 18/05/2013.

Escrito por Rossana Mativi.

domingo, 7 de abril de 2013

Dia Mundial da Saúde


A Rádio Web Saúde participou da comemoração do Dia Mundial da Saúde no Parque Farroupilha em Porto Alegre dia 07 de abril.

O Dia Mundial da Saúde foi criado em 1948 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste ano traz como tema: Viver com saúde é uma Grande Vitória. 

Lá entrevistamos profissionais das áreas da Saúde e Esportes. Também, conversamos com o representante do Instituto Autismo e Vida o qual comemorou, em 02 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Perguntamos aos entrevistados o que eles entendiam por saúde?

Dentre as respostas um assunto muito interessante surgiu: O Controle Social, quem falou sobre ele foi o Sr. Carlos Duarte, representante do movimento AIDS no Conselho Estadual e Nacional de Saúde.


Para ele, saúde é qualidade de vida, é expectativa de vida, saúde é viver bem. Lembrou que o SUS é um Sistema Único de Saúde e não um plano de saúde.  E como sistema ele envolve muito mais do que a questão de assistência, é prevenção da saúde, é qualidade de vida, da água, da alimentação.

Rádio Web Saúde – Como incentivar a participação da população no Controle Social?
Carlos Duarte – “A dificuldade que há é que as pessoas não sabem que existe o controle social. Há pouca divulgação do SUS como um todo. É colocado, para a população, que o SUS é uma questão de assistência como se fosse um plano de saúde, conforme dito anteriormente, e o SUS é muito mais do que isso ele é um Sistema de Saúde. E como Sistema de Saúde uma das partes fundamentais para que o sistema funcione é a participação da comunidade para dizer como ela quer que esse sistema funcione e qual é a necessidade dela para que esse sistema de conta. A população pouco houve falar de Conselhos de Saúde, não sabe que existem. E, os serviços de saúde pouco divulgam, também, para a população que utiliza o serviço que parece que o Controle Social é uma fiscalização policialesca e na verdade não é nada além do que a garantia do direito à saúde. É por isso que estamos aqui hoje com uma barraquinha do Controle Social para tentar trazer para a população justamente isso, que controle social é lutar pelo direito à saúde e é necessário que a população se aproprie disso e vá para os conselhos e para todas as formas de participação para dizer como ela quer ser atendida e só assim conseguimos efetivamente montar um serviço que atenda as necessidades e controlar e fiscalizar para ver se esse serviço está realmente atendendo às necessidades da população. A participação da comunidade é fundamental para que o direito à saúde se efetive.”

Referências: RIO GRANDE DO SUL. SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE, Caminhada e Atividades marcam Dia Mundial da Saúde em Porto Alegre. Disponível em: <http://www.saude.rs.gov.br/conteudo/7050/?Caminhada_e_Atividades_marcam_Dia_Mundial_da_Sa%C3%BAde_em_Porto_Alegre> Acessado em: 25/04/2013.

Entrevistas: Franciele Moletta, Fagundes Conceição e Ana Paula Cappellari.

Escrito por Rossana Mativi com o apoio técnico da colega Mariana Marchioro.